Hoje não devia ser o teacher's-bitching-day oficial? Acordei mentalizada para passar o dia a ouvir a ladaínha de sempre mas até agora (são quase 11h) estou com sorte.
Terça-feira, Julho 7
Sexta-feira, Julho 3
adaptação a Lisboa
Os dias crescem e aquecem, o céu vai-se confirmando azul e, mesmo nos dias em que não páro e a agenda está rabiscada de cima abaixo, cheira-me a férias. Aquela gasta ilustração do copo meio cheio ou meio vazio vem-me à mente e percebo que não quero caracterizar-me (só) por ser a rabugenta que reclama por tudo. Vou por isso dar tréguas a Lisboa. Enquanto tenho que viver cá, vou fazer os possíveis para reparar mais no que é bom e vale a pena. Estou curiosa para saber se consigo. As pessoas são mais simpáticas aqui, já é um bom princípio.
Quarta-feira, Junho 3
operação stop
Acabo de ser parada pela polícia. Documentos em ordem.
Agente- Bebeu bebidas alcoólicas?
Eu- Não.
Agente- Então boa tarde.
Finalmente um teste de alcoolemia eficaz.
Quinta-feira, Maio 7
Quinta-feira, Abril 16
estacionada na zona da Estefânia
Um arrumador abre-me a porta do carro (a minha do lado do condutor), inclina-se, sorri e diz: "Olha, linda, eu e o meu irmão estamos ali a tocar jambé, se precisares chama!"
Quarta-feira, Abril 15
o inesperado
A nossa vizinhança é simpática. Desde o João da frente cujo cão nos salta para cima sempre que pode e que uma semana depois de nos mudarmos (logo no dia em que me conheceu) teve que me emprestar o seu cartão do Millenium BCP para eu arrombar a porta de casa depois de a fechar com a chave do lado de dentro, até aos senhores do rés-do-chão que limpam o hall comum e deixam cheirinho a alfazema nas escadas. Na segunda-feira à noite, tocou na nossa campaínha uma vizinha nova a pedir a batedeira emprestada e no dia seguinte devolveu a batedeira juntamente com 2 fatias do bolo de chocolate que estava a fazer.
Vemos mais os vizinhos em Lisboa do que quando viviamos em Évora, em Tondela nunca os conheci sequer. As ideias feitas sobre a vida no "campo" e na cidade não passam disso: ideias feitas.
(des)controlo de tráfego
Ontem tinha uma turma às 18h na margem sul. Saí de casa pouco depois das 16h30 e às 19h continuava presa no trânsito perto da praça de Espanha. O túnel das Olaias demorou mais de 50 minutos a ser atravessado e estive mais de meia hora no trânsito completamente parado à frente do campo pequeno. Cheguei a casa depois das 20h sem ter chegado a passar a ponte (e gastei meio depósito). Esta manhã demorei 1h25 a fazer um percurso em que normalmente demoro cerca de 30 minutos. Discursem quanto quiserem, nunca hei-de habituar-me a isto.
Sexta-feira, Abril 10
Há um rouxinol que às vezes canta durante horas nas àrvores das traseiras da nossa casa. Hoje andava por aqui um melro e na semana passada voou uma joaninha janela adentro. Estas são das poucas coisas com as quais não contava no centro de Lisboa e das poucas que me fazem feliz cá.
Domingo, Abril 5
em contra-relógio
Apetece-me fazer coisas bonitas, nem acredito que o fim-de-semana já está a terminar.
impressões
À medida que os anos passam por nós (ou nós por eles) temos a ilusão de que o tempo corre cada vez mais depressa e não percebi ainda porquê nem se isso é mau ou bom.
Segunda-feira, Março 30
Domingo, Março 29
mais um dia
Quando vejo o meu reflexo nos vidros do metro, a primeira coisa que me passa pela cabeça é "eu não pertenço aqui". Definitivamente, Lisboa não me diz nada.
Quinta-feira, Março 19
a minha geração
Várias amigas a caminho do 3º filho, outras já a teorizar o 4º, algumas grávidas do 2º e poucas do 1º. Tudo a levar a sério o dia do pai hoje, suponho. Fazem bem.
the weather girl
Desde a passada semana ouvia "não se preocupem que na próxima quarta-feira volta a chuva" de uma colega. Nostradamus falha novamente. Ainda bem. Mas se Março é assim, não quero estar cá em Agosto.
Terça-feira, Março 17
let's get physical
Sempre gostei mais de Física do que de Química. Faz sentido. Por mais que outras sejam igualmente consideradas exactas, nunca me parecem tão exactas quanto a Física (excepção à própria definição de exactidão: a Matemática). Mas são desnecessárias mais justificações: a inércia é um conceito da Física.
Sexta-feira, Março 13
bye bye winter blues
Tenho que ir averiguar a verdadeira extensão da influência do Sol na produção de serotonina. Sem motivos aparentes, desde que o Sol se instalou nestes últimos dias, dou frequentemente por mim a rir descaradamente ao volante.
Quinta-feira, Março 12
a minha mãe diz
que se não temos nada de bom a dizer devemos ficar calados. Quem me conhece (e quem não me conhece) sabe que não concordo inteiramente. No entanto, ouve-se quem apregoe por aí que não devemos cuspir na mão que nos dá de comer, o que já me parece uma questão de sobrevivência. É por isso que não me perco em considerações sobre o trabalho e sobre o governo.
Quarta-feira, Março 11
Terça-feira, Março 10
Sábado, Março 7
palavras inacreditáveis
Hoje ouvi, no Fala com ela da Inês Menezes (com s ou z?) na Radar, o actor Miguel Guilherme empregar com alguma naturalidade a palavra "sacripanta". Não consegui recompor-me o resto do dia.
Quinta-feira, Março 5
palavras perdidas
A minha avó portuguesa era uma senhora simples. Nunca estudou. O avô dela foi um daqueles típicos casos de "fortunas" esbanjadas por causa do alcoolismo. O pai era um mulherengo irresponsável que passou a vida entre Portugal e o Brasil. Cada vez que vinha em férias, fazia um novo filho e voltava a deixar a mulher, a minha bisavó Rosalia, que criou todos os filhos cozendo e vendendo broas de milho. Lembro-me das papas de milho que me tentava impingir quando eu era pequena.
A minha avó não teve uma vida fácil. Teve 15 namorados (daqueles que mandavam flores e cantavam serenatas à janela), casou tarde (para a época), teve muita dificuldade para engravidar e perdeu o marido (por quem era realmente apaixonada) com um filho ainda miúdo nos braços: o meu pai.
As recordações que guardo dela são estranhas. Nunca foi uma avó típica, não era propriamente carinhosa mas nunca duvidei do quanto gostava de nós.
Quando vou "à santa terrinha" todos os velhotes me dizem que sou igualzinha a ela quando era nova. Aquilo que me lembra sempre dela são as cores vivas, ela gostava de cor - e em memória do marido só vestiu preto durante mais de 40 anos, nunca voltou a casar. Era uma senhora inteligente que não sabia ler mas era feliz por saber desenhar um R perfeitinho (primeira letra do nome da mãe, do 2º nome dela - que era o preferido- e dos nomes dos 2 únicos netos). Conhecia centenas de hinos e versículos bíblicos de cor. Quem não sabe ler, valoriza o que nós frequentemente banalizamos.
Ela usava palavras que nunca ouvi de outras pessoas. O meu irmão e eu até temos um projecto meio idiota de as listarmos sempre que nos lembramos de mais alguma. Gosto desta e hei-de passar a usá-la. A minha avó era assim.
estreme: que não tem mistura; puro; genuíno.
correio
Hoje escrevi uma carta.
Escrevi mesmo: papel, caneta, envelope, selo. Precisava de registar isso, consta-me que já é uma coisa rara.
Sábado, Fevereiro 21
derby (I)
Não sou tendenciosa como adepta desportiva, tinha que canalizar a minha humanidade para algum lado, certo?
derby
Todos os sábados acordo com vontade de olhar para o oceano em São Pedro de Moel ou de ouvir o rio sentada numa esplanada de Coimbra. Todos os sábados. Porque não há rio que se compare ao Mondego nem praia em que o Atlântico seja mais imponente.
Quinta-feira, Fevereiro 19
Lisboa é a pior cidade em que morei até hoje. Detesto-a até à exaustão. É uma cidade odiosa e as obras no Terreiro do Paço são a coisa mais hedionda de todo o sempre.
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